quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Amazônia, Eldorado Brasileiro.

Encontramos na Lei da Natureza brasileira, uma descrição poética, e, ao mesmo tempo, incisiva no que diz respeito à preservação do meio ambiente. Ela inicia dizendo que a natureza é: "Sabia, abundante e paciente" e termina normatizando que, "Condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente passam a ser punida civil, administrativa e criminalmente". Porém, a ganância e fúria do homem em uma da mais desastrosas inconseqüências deste século, já consumiram sete mil quilômetros quadrados de mata, somente em agosto a dezembro de 2007 na Amazônia.
Não quero aqui, adentrar na preleção da importância desta área verde aos brasileiros e a humanidade, e sim, divulgar e apoiar a proposta do eminente Presidente da Ordem Nacional dos Advogados do Brasil-OAB, César Britto, na criação de um Tribunal Internacional da Amazônia, que seria integrado por todos os paises vizinhos, na defesa dessa região, em especial contra o desmatamento que, alcança índices assustadores, e também, possam pressionar por políticas mais urgentes de preservação e defesa. A proposta foi feita em Brasília no dia 24/01/2008.
Para o presidente da Ordem César Britto, não só o desmatamento deve ser controlado, mas as outras formas de destruição que vem ameaçando um dos mais ricos ecossistemas do planeta, onde afirma que, "A Amazônia é um patrimônio a serviço da humanidade", e que tal destruição nesta área a passos largos é "cometer crime contra a humanidade". Por isso, se faz urgente levar esta proposta do Tribunal Internacional da Amazônia ao Conselho Federal da OAB que será realizado ainda este ano.
Saliento que, a criação de um Tribunal Internacional da Amazônia, seja amplamente divulgada, para que cada seguimento da sociedade passe a fazer uma discussão e aponte soluções definitivas, em uma proposta a ser apresentada á cada seccional da OAB de seu município, e encaminhada ao Conselho Federal da OAB, que por não ter data marcada para acontecer, nos dará tempo para mobilizar e discutir.
O Eldorado brasileiro, imprescindível à sobrevivência de seus habitantes, aos brasileiros e de toda humanidade, conta com todos os segmentos, para não permitir que este patrimônio do Brasil desapareça. É preciso que a sociedade brasileira saia desta letargia e passe a fazer parte efetiva e de fato da democracia. Vamos lutar por aquilo que é nosso. E preservar a natureza é dever de todos nós.

Charge

Charge retirada do Jornal de Brasília que achei no blog Politicanalha. Já que estamos copiando de outros blogs, como diria Antônio Tabet, do blog Kibe Loco, "Não entendeu? Clique aqui!"

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O que tem de errado na parcialidade na imprensa?

Nada. Respondo logo de cara o questionamento que faço no título. Deveríamos ter consciência que é difícil (talvez impossível) termos uma visão imparcial das coisas. Infelizmente, entretanto, aqui no brasil, a imprensa, especialmente quando o assunto é política, prefere ter posturas distintas das da grande maioria da mídia do resto do mundo.

Digo isto pois semana passada, o Jornal The New York Times publicou em seu editorial o apoio às candidaturas da democrata Hilary Clinton, e do republicano John McCain nas primárias americanas (reportagem em português no globo.com). Já aqui no Brasil, o que vimos nas últimas eleições foi um festival de informações imprecisas e muitas vezes até falsas, mas sem deixar claro a quem tais informações interessavam. Quem não se lembra da inoportuna matéria da Revista Veja acerca dos dólares vindos de Cuba para a campanha de Lula, coisa que nunca foi comprovada, e comprometeu a credibilidade da revista até entre aqueles que apoiavam Alckmin. Se a imparcialidade não contribui, uma imparcialidade mal disfarçada é pior ainda. Muito mais honesto um discurso panfletário, desde que de forma fundamentada, ao contrário dos "Reinaldos Azevedos" e dos "Paulos Henriques Amorins" da vida. Um exemplo disso, foi na França em 2002, quando o candidato fascista à presidência da república Jean Marie Le Pen crescia nas pesquisas eleitorais, chegando inclusive ao segundo turno das eleições naquele ano, e o jornal de esquerda, Libération, estampou na capa uma foto de Le Pen com ar arrogante, e um "não" escrito em letras garrafais. Dentro do jornal (que foi fundado pelo filósofo Jean Paul Sartre) uma matéria sobre os perigos do crescimento da xenofobia no país.
Não creio que a grande mídia perde fazendo discursos pró ou contra determinados candidatos pois as pessoas que lêem essas revistas para se informar de assunto polêmicos, como política, escolhem determinado jornal para ler de acordo com sua linha editorial. É evidente que os jornais precisam de oferecer opiniões relevantes, que sejam condizentes com a verdade e opinar sobre determinados assuntos de forma clara, como fez o The New York Times, quando justificou de forma fundamentada suas escolhas na corrida presidencial, até para não perder credibilidade perante àqueles que apóiam adversários de Clinton e McCain.

Aqui em Uberaba, pode ser que haja problemas neste sentido. Temos dois grandes jornais. O atual prefeito adora criticar a imprensa e suas peripércias não podem passar batidas em qualquer jornal que se diga sério. Mas seria interessante termos uma experiência de imprensa honestamente polarizada nas próximas eleições municipais.
PS.: Se blog é uma mídia, nós anunciaremos em quem vamos votar aqui.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Rede de Paleontologia em Peirópolis Sob Suspeita

Peirópolis é uma pequena vila situada a 21 km do centro de Uberaba (MG), e se tornou conhecida mundialmente e nacionalmente por ser área de um dos mais invejáveis sítios paleontológico do país, com fosseis de 80 milhões de anos. Recentemente uma das descobertas mais importante do Brasil foi o fóssil Uberabasuchus terrificus, fóssil de crocodilomorfo, com cerca de 70% de seu esqueleto preservado, e que viveu há mais de 70 milhões de anos. Abriga também, o museu e o Centro de Pesquisa Paleontológica “Llewellyn Ivor Price”.

E com essa importante área de pesquisa pré-histórica, foi inaugurada em dezembro de 2004, a Rede Nacional de Pesquisa Paleontológica onde os estudiosos de fósseis do Brasil receberam do Deputado Federal Narcio Rodrigues (PSDB), uma soma de R$ 6,1 milhões para montá-la e programar os projetos científicos.

No entanto, essa doação tão benevolente cedida pelo Deputado Narcio, levantou suspeita na comunidade científica, pois, como sabemos, toda verba parlamentar só é concedida através de projetos aprovados e mediante documentação em dia das instituições, e não foi o que aconteceu com a Rede, que se quer tem sede própria. Mas, quando interesses políticos se tornam prioridade, as coisas acontecem com facilidades. Pegaram emprestados nomes de instituições ligadas à paleontologia, como a Sociedade Brasileira de Paleontologia – SBP, porém, não disseram a elas que fariam isso, e a verba foi liberada.

É interessante, trazer a lume tal fato, que foi amplamente divulgado na imprensa nacional, em específico, o renomado editor de ciência da Folha de São Paulo, Cláudio Ângelo, onde apurou que as entidades ligadas á Rede de Paleontologia não iria aceitar que seus nomes fossem usados indevidamente, sabendo que se quer tal Rede possui cede própria ou projetos para viabiliza-la.

Entretanto, causa-nos espanto tal noticia, pois, sabemos que o Museu de Peirópolis ligado a Fundação Municipal de Ensino Superior de Uberaba-FUMESU, com importantes pesquisadores e projetos de expansão voltados ao ensino e pesquisa, foi excluída do projeto (Rede), tendo suas portas fechadas por três dias por falta de verba. No entanto a Rede usa o Museu para fazer divulgação dos importantes achados arqueológicos dentre outras atividades ligadas ao museu.

Proponho aqui, que sejam levados tais fatos ao Ministério Público para que incorra em uma apuração, solicitando as prestações de contas detalhada da Rede de Paleontologia, como descrição dos projetos e apresentação do Estatuto. A sociedade uberabense não pode ficar alheia a estes fatos, pois, tudo leva a crer que o dinheiro público esteja sendo usado indevidamente. Cada cidadão deve ser fiscalizador, e, proceder com seu direito legal, questionar e denunciar. Interessante saber, como pessoas importantes, probas, ligadas às atividades da vila não o fizeram...

A sociedade brasileira encontra-se perplexa diante de tanta corrupção que se instalou no país, não só nos salões de Brasília, como em distantes rincões. E Peirópolis, não pode ficar sob suspeita de possíveis irregularidades, devemos preservar tão importante sítio arqueológico que dá tanto orgulho a nossa cidade.

Conheça as dificuldades do Museu e a crise instalada na Rede de Paleontogia. Clique aqui


domingo, 27 de janeiro de 2008

Vem meu ursinho querido, meu companheirinho, ursinho pimpão...

No post anterior, falei da falta de independência das juventudes partidárias em Uberaba, da sua falta de papel definido e do pouco valor que eles próprios dão a eles mesmos. Pois bem. Na conferência realizada ontem, a presença de várias lideranças que já passaram da idade e a ausência de pessoas que tinham alguma contribuição para dar. E o pior, puseram a moçada pra imitar ursinho. URSINHO!? Quero esse video e pago bem.
Enquanto isso, fiquem com um bebê que assistiu a cena.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Movimentos políticos jovens na cidade de Uberaba

No primeiro ano do governo AA, foi feita uma conferência da juventude, que teve ampla divulgação, inclusive com inserções na TV. Naquela época, a intenção era criar um cargo de assessor. Mas a conferência foi um fracasso e vários pontos foram questionados. Tanto é que nada foi feito e o cargo não foi criado, pois não havia legitimidade política das pessoas que estavam a frente do projeto, ligadas ao PCdoB.
Hoje está acontecendo no Centro Administrativo uma conferência da juventude. Ao contrário da conferência de 2005, a única coisa que encontrei na imprensa foi uma pequena nota na coluna da Gislene Martins no Jornal da Manhã, onde ela diz que na articulação do evento está (para variar) o PCdoB, "através dos puplios do presidente Zuzu". A intenção desta conferência é tirar delegados para a conferência estadual.
Eis que na última hora, a oposição "descobre" que a conferência está sendo realizada e resolve se organizar de última hora. Perda de tempo. Dar legitimidade a eventos como esse só faz com que burocratas continuem se perpetuando no aparelhamento que tenta manipular jovens, muitas vezes bem intencionados, a se sujeitarem a fazer o papel de inocentes úteis.
É engraçado como as juventudes partidárias aparecem mais em ano eleitoral. Às vezes é mais fácil culpar os políticos, que fazem deles mão-de-obra barata, mas o jovem também não tem demonstrado vontade de lutar de forma independente, aguerrida e acima de tudo, inteligente . A juventude deveria se valorizar e ter um papel definido. Escolher um modelo de sociedade e lutar por ele não é fácil. Mas é mais gratificante que ficar à sombra de gente sem caráter e que usa a política para favorecer pequenos grupos, vendendo ideologia barata.

Sociólogo rebate defesa de Lourival sobre nepotismo

Leia aqui a matéria do Jornal de Uberaba escrita por Daniela Brito, onde o Evandro fala sobre a possibilidade de extinção do nepotismo e as ações que foram feitas durante nossa gestão no DCE do CESUBE.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

BBB - Por um novo conceito de "baixaria"

Algumas coisas ou pessoas recebem rótulos que são convenientes para outros grupos. O Big Brother Brasil é um programa que muitas pessoas estão condicionadas a dizer que se trata de uma coisa fútil e banal, mesmos adjetivos dados às pessoas que assistem o programa. Mas poucas pessoas, inclusive os ditos intelectuais, não levam em consideração o fator ideológico das edições do programa e a forma com que o BBB é comentado na mídia.
A imprensa reclama da "baixaria" que está acontecendo explicitamente na edição nº8 do BBB, expressão que, segundo a articulista da Folha, Bia Abramo, é usada quando há uma sinalização clara de que algum limite do socialmente aceitável foi ultrapassado. Mas até onde eu sei, aquilo que a mídia está chamando de baixaria (bebedeira, pegação e... etc.), pode até ser que isso esteja fora do "limite do socialmente aceitável", mas nada muito diferente daquilo é feito em qualquer festinha que tem por aí, em todos os lugares, entre gente de todas as classes sociais. E outra: ninguém é obrigado a assistir o programa. Então porque levar tão a sério o que se passa naquela casa?
Em países europeus, aquilo que chamam por aqui de "baixaria", acontece de forma bem mais clara nos Big Brothers. Os videos disponíveis na internet dos Big Brothers sueco e holandês são para escandalizar qualquer pseudo-carola da mídia tupiniquim. Mas têm duas coisas que devem ser levadas em consideração. O Big Brother em grande parte dos outros países onde eles passam, não são os campeões de audiência da principal emissora de TV. Sinal de que nós é que damos importância demais. Outra coisa: Suécia e Holanda são países onde as pessoas vivem bem, os impostos são revertidos para o bem da população, o Estado não interfere tanto na vida privada das pessoas e os governantes dão espaço para a população se manifestar. No Brasil, o povo tem vez mesmo ao fazer justiça votando em algum Big Brother "mau caráter" (e pagando uma tarifa por isso) às vésperas de um paredão.
O brasileiro em geral ainda prega um moralismo hipócrita, embora isso seja um pleonasmo, afinal, todo moralismo é hipócrita. Mais do que isso, é um moralismo injustificado. Alguém pode me responder de forma racional, em que essas pessoas, que resolvem se mostrar na frente das câmeras, estão prejudicando alguém ou a sociedade? Infelizmente, nosso conceito de "limite do socialmente aceitável" é algo muito equivocado. Pessoas que estão realmente prejudicando outras estão imunes à repreensão da mídia. Algumas dessas pessoas são inclusive blindadas pela mídia. Cabe a nós, julgarmos o que é baixaria, pois para mim, perto do Congresso Nacional e outras instituições políticas, a casa do Big Brother parece mais um convento ou um mosteiro. Não há nada mais fora do "limite do socialmente aceitável" (foi a última vez que usei a expressão no texto, eu prometo) do que o acontece nessa casa da foto ao lado. Mas apontar o dedo para o comportamento das pessoas, é mais fácil e bem menos comprometedor.
Por fim, uma sugestão de leitura alternativa do BBB. O clássico site gaúcho de (mau) humor Zero Zen, tem os melhores comentários sobre o programa que eu já vi. O link anterior mostra comentários atualizados sobre o BBB 8 que você jamais encontraria nos grandes portais. Mas lá também tem informações dos programas anteriores.

A Santidade dos Políticos

Quando a pizza dos políticos corruptos esfria aos olhos da sociedade, surge um salvador da pátria para acalentar os famigerados cidadãos apáticos e carcomidos pela falácia eleitoreira, cujas promessas se renovam a cada ano e que nunca mudam.


Agora surge uma proposta para beatificar nossos políticos mauzinhos, a de extinguir a remuneração destes em todas as casas, Legislativo e Executivo, apresentada pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Helio Vieira. Confira na íntegra.


A proposta é pertinente, principalmente quando o país vive uma lama de corrupção, que mesmo com as denuncias e apresentando provas, acabam na mesma. Uma profunda inversão dos valores, os quais são substanciados por políticos que deveriam respeitar os ditames constitucionais e não os fazem.


Mas como toda proposta que ponha fim a toda essa bandalheira, é bem vinda para o bem da Republica. Considerando que, uma preocupação pessoal, que sem a participação popular, dos sindicatos, organizações não governamentais e com as igrejas, isso não irá perdurar, será mais uma receita nos pilares do bom senso em querer santificar nossos políticos.


É preciso que as idéias para fortalecer a nação saiam dos muros e dos discursos dos eminentes signatários e caiam nos alicerces da sociedade que é o povo, ai sim, poderemos ter a tão sonhada esperança de volta.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Quem não se vende é bobo

Os bobos na idade média tiveram papel de grande importância, não só de alegrar a corte com suas piadas e canções, mas também, eram procurados para serem conselheiros dos nobres. Hoje, esta definição se aplica aos que se recusam a se venderem para beneficiar políticos ou terem um ganho fácil, principalmente em uma sociedade corrupta onde a maioria se presta a esta negociata, em detrimento daqueles que não se vendem, ao manter firmes seus ideais e seus propósitos de realmente ver uma sociedade com melhor distribuição de renda e seus valores éticos preservados.

Quero arder no fogo do inferno junto com os bobos, pois já vivemos este inferno aqui mesmo, ao perceber que pessoas de bem, também se vendem, deixam seus ideais, seus princípios aliando-se a inescrupulosos para conseguirem vantagens. Não se podem acusar a classe pobre de vender seus votos em ano eleitoral em troca de cesta básica, cimento, tijolos, remédios. Sabemos que, a classe média se vende em troca de cargos públicos, parcerias com entidades suspeitas de corrupção, favorecimento em licitações, computadores para os filhos, pagamento de registro em cartório, dentre outras coisas de maior valor de mercado, enquanto os pobres são sempre acusados de se venderem por pouco, fragilizando assim a democracia. Aqui está a diferença entre as duas classes. Infeliz do pobre.

A imprensa sempre ressalta e denuncia a venda de voto do pobre, mas não comenta a venda do voto do rico, e quando fazem, são reverenciados posando de estadistas, secretários, diretores e tudo o mais. Encontramos aqui dois pólos distantes do surrealismo, de um lado a classe miserável ganhando migalhas, do outro, bufões levando milhões fáceis, tornando-os seres submissos em uma ordem que avilta e amesquinha o ser humano, destruindo assim o sonho de um humano digno redentor de si, na mais plena paixão do existir. Só tenho aqui que lamentar aqueles que deveriam formar opinião e se calam, submetem, sabe-se lá a quem para não denunciar tais atos imorais em todas as classes. Aqui fica a pergunta, quem é a escória?

Contra o Amor - Uma polêmica, de Laura Kipnis

Antes do post, queremos agradecer a todos que tem passado por este blog e fizeram triplicar o número de visitas essa semana. Obrigado a todos também pelas sugestões. Uma delas, que resolvi acatar hoje, é de deixar de vez em quando a política de lado, e falar sobre cultura, comportamento e tudo que costuma vir nas nossas cabeças quando estamos reunidos entre amigos. Inicialmente, vou aproveitar parte dos textos do meu antigo blog, onde já fazia isso,
mas que está temporariamente desativado. Mais uma vez, obrigado.

Agora, um texto sobre o livro Contra o Amor - Uma Polêmica, de Laura Kipnis:


"Não há como ser contra o amor justamente porque nós, modernos, somos constituídos como seres que anseiam por satisfação, desejam conexão, precisam adorar e ser adorados, porque o amor é plasma vital e todo o resto do mundo é água de bica. Prostramo-nos nos portais do amor, ansiosos para entrar, como aqueles que não se cansam de aguardar do lado de fora das cordas de algum clube exclusivo na esperança de serem admitidos em suas salas suntuosas, confirmando assim nosso valor essencial e tornando-nos interessantes para nós mesmos."



Existe quase uma unanimidade na concordância sobre isso que foi dito acima, e a psicóloga Laura Kipnis adverte o leitor do livro logo de cara que a intenção é desconstruir tudo isso. segundo ela, todas as religiões tem seus hereges, mas o amor é praticamente uma unanimidade.


A crítica na verdade é ao casamento, e as tentativas frustradas de amor eterno. O livro não é necessariamente o que o título diz, portanto. No primeiro capítulo, mais técnico e talvez para a maioria o mais chato de todos, ela expõe a inviabilidade dos casamentos devido a vários fatores socioeconômicos da sociedade atual. No início do capitalismo, a ética calvinista transformou o casamento em aliado do sistema, já que as pessoas se casavam dentro de uma ética de trabalho e sacrifício, e os casamentos eram em grande parte arranjos familiares. No entanto, o capitalismo se transformou e criou a sociedade consumista e os casamentos raramente são arranjados. O hedonismo pode ser canalizado para o consumo. O resultado é que a indústria do sexo cresce a cada dia e o apelo da mesma faz com que o casamento se torne uma instituição em crise em nossa época.

Fonte: Tiras do Hagar

Clique na imagem para ampliar

Kipnis compara as casas de determinados casais com Gulags (antigos campos de concentração na URSS) e o segundo capítulo começa mais engraçado, quando ela mostra manchetes bizarras envolvendo crimes conjugais nos EUA. O medo e a dor de perder o amor é tão grande que se faz qualquer coisa para evitar que isso aconteça. Apaixonar-se também causa insegurança, ansiedade, e em alguns casos, violência exteriorizada. Níveis de confiança, grau de intimidade, perda de liberdade. Tudo ilustrado com muito humor. Em seguida ela volta a falar da questão da intimidade, na habilidade dos adúlteros, nas pequenas coisas cotidianas que acabam com um casamento e por fim faz um apanhado histórico de questões políticas (e de políticos) que envolvem comportamento.

Quando vi a entrevista de Kipnis no programa Roda Viva na TV Cultura, pensei que seria um livro complicado de se ler. O papo nesta entrevista foi muito além do livro, onde ela abordou outras questões polêmicas. Mas é um livro divertido, com informações interessantes e muitas vezes contraditórias. Um livro que não dá respostas, mas nos faz questionar, algo que todo livro deveria fazer. Eu mesmo não concordo com muito do que é dito. Mas não há nada que não tenha sido colocado que nos leve a refletir sobre o conceito que temos de amor. Eu ainda sou daqueles que acha que o amor é o "plasma vital" como ela diz, mas creio cada vez mais que ficarmos prostrados no tal portal não é a solução. Hoje existem muitos livros sobre o tema, mas este é um livro interessante tanto para quem quer ter explicações técnicas, quanto para quem quer se divertir. Recomendo!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Sociedade no precipício

Uma amiga minha usa um jargão hilário quando alguém finge ignorá-la em assunto serio, que cabe perfeitamente á maioria de nossos vereadores, ela diz assim: “não se finja de égua”. Eles sabem perfeitamente que estão ignorando a sociedade ao dizer que a pratica do nepotismo não configura na jurisprudência ou na Carta Magna, e sim por ser imoral. Mas tudo bem, dizem eles, somos imorais mesmo, vamos manter nossos parentes.

Para lembrá-los os alunos do CESUBE em 2004 protocolou junto ao Ministério Público abaixo assinado com mais de quatrocentas assinaturas pedindo o fim do nepotismo em nossa cidade, como entregaram cópia ao então presidente da Casa Tony Carlos.

Somente agora o MP se posicionou pedindo relação dos parentes contratados e o grau de parentesco. E pasmem! Eles não sabiam se haviam parentes contratados e por isso não saberiam como informar a solicitação ao MP, sendo que circula na cidade lista de todos os parentes destes nobres, ou melhor, pobres edis.

Senhores vereadores, uma lição de casa, é tempo de fugir da ignorância, quando assumem cargo público deve-se dar exemplo de cidadania, e respeitar seus eleitores, pois, o papel ao qual lhe foi confiado é Legislar, ou seja, fiscalizar e aprovar leis para o bem da sociedade, principalmente aquelas as quais vá de encontro com seus anseios, e o fim do nepotismo é uma delas.

É de conhecimento de todos que o Nepotismo é uma forma de corrupção, quando um alto funcionário público utiliza de sua posição para conceder cargos públicos a pessoas ligadas a ele por laços de família, impede que outras, tendo uma qualificação melhor saiam prejudicadas. Sem contar que esta prática hoje em dia, esta sendo condenada em toda a esfera política mundial, por ser considerada um retrocesso na democracia e por estar associada á corrupção.

Vereadores Uberabenses não nos empurrem ao precipício, e “não se finja de égua” o povo pode não ser de todo tão ignorante como parecem, alguns conhece o que pregoa a Constituição Federal, principalmente em seu artigo 37, ao fulcrar os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência devem ser seguidas na contratação de funcionários no serviço público. Evidenciando neste artigo o caráter inconstitucional do nepotismo, como sabemos também, que tal prática não é crime, mas se comprovada a intenção do agente público de privilegiar membros da família com cargos públicos, sujeitará a uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa, podendo ressarcir integralmente o dano ao erário público com a perda da função e dos direitos políticos de três a cinco anos.

Não quero entrar no mérito jurídico, reforço ser a vontade da população, que acabem com essa vergonha, e efetive verdadeiramente os ditames da democracia. O que tem que fazer é simplesmente aprovar a Lei que proíba tal ato, ai sim, no precipício o que iremos olhar será o horizonte de uma sociedade forte e proba.


Contra Corrente no Jornal de Uberaba

A repórter Daniela Brito publicou trechos da impagável crítica do Evandro de Souza à patética e inoportuna declaração do prefeito Anderson Adauto que mandou o Dep. Marcos Montes ir tomar banho na soda. Leia a matéria clicando aqui.

Corrida para a prefeitura - Atualizado

Saiu no Correio de Uberlândia uma pesquisa feita pelo Instituto Veritá (também de Uberlândia) sobre a eleição municipal de Uberaba, que não foi divulgada pela imprensa daqui. A indicação foi de Diego Aguirre. Apesar da pesquisa ter sido feita em um período muito longo (3 e 15 de Janeiro), o que compromete a metodologia da pesquisa, nela há algumas informações relevantes. Apesar do Prefeito Anderson Adauto estar em 1º Lugar na pesquisa espontânea, na pesquisa estimulada de segundo turno com o Deputado Fahim Sawan, ele perde com 39,1% dos votos, contra 60,9% de Fahim.
No primeiro turno no entanto, a diferença entre ambos está dentro da margem de erro (28,3% para Fahim e 26,6% para AA), o que caracteriza um empate técnico, significa que ainda que Anderson Adauto esteja com um alto índice de rejeição (36,7% de AA contra apenas 6,7%), o nome de Fahim ainda não se consolidou junto à população como o nome natural da oposição para a disputa pela prefeitura. Até porque Marcos Montes, que já declarou apoio ao Fahim, na pesquisa estimulada tem 17,9%. Mas o índice de rejeição do atual prefeito, somado pela diferença expressiva de intenção de voto no segundo turno, deixa uma coisa bem clara: hoje os uberabenses querem mudança.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Para quem ainda tinha dúvidas...

... acerca da farsa da encampação do CESUBE pela UFTM, leia trecho da matéria do Jornal de Uberaba feita pela Maria das Graças Salvador:
UFTM - A reportagem então indagou se o diretor acha que o prefeito está ciente de que a UFTM encampar o Cesube não é viável. Márcio Mengatti disse achar que é interessante o prefeito ouvir isto do próprio reitor Virmondes. Também lembrou o que o próprio reitor já disse à reportagem do JU, de que o perfil do aluno do Cesube é diferente do da UFTM. "Nosso aluno quer melhorar, mas às vezes não está preparado para prestar um vestibular tão competitivo como o da UFTM. Então ele vai procurar isso aqui. Isso é natural."Quanto à qualidade técnica e educacional do Cesube, Mengatti destaca que todos os cursos da instituição têm ótimo conceito e toda estrutura para que o aluno estude. "Esta preocupação de mercado, de dizer que vai vir uma universidade que terá todos nossos cursos e dizer que com isso nós seremos massacrados, é falta de visão. Então Uberaba não é esta cidade pólo educacional que se quer chamar. Então vamos deixar só Uniube e UFTM aqui dentro? E as outras, Cesube, Facthus, Ciências Econômicas, Unipac? Elas não servem, não têm mercado? Também já debateram que no Cesube só tem professores qualificados e com uma grade rica. Ora, ser qualificado é ter ponto positivo. Nunca ouvi falar que uma instituição é criticada por seu preparo."
Só temos que parabenizar a Graça e o Márcio pela reportagem, e lamentar que ainda tenha gente que acredite em tanta conversa fiada propagada pelo prefeito e seus aliados. Leia a matéria na íntegra aqui.
Texto Relacionado: